Em dias assim a gente precisa de uma mão acolhedora. Não por fraqueza ou infelicidade, mas por necessidade de as vezes ter alguém pra dizer: 'ei, to aqui... não vou sair daqui porque me importo com você.'
Quando se leva um tombo, mesmo pequenininho e indiscutivelmente inevitável, a gente quer ajuda e quando a ajuda é encontrada, acaba com essa coisa de se sentir ridículo por dentro, dando um sorriso amarelo com medo de alguém rir.
O fato é que a gente gosta, e então a gente aprende a amar e a venerar e a querer mastigar o sentimento já mastigado e engolir sentindo cada gosto que é único. E depois quando a gente menos espera, o doce vira azedo, que vira amargo. Aí dói de engolir e dói de ver e saber que existe e que a gente sente. E quando a gente abre os olhos e enxerga o que mastigou com tanto prazer, a gente sente nojo e medo e terror e uma vontade de jogar fora tudo o que já foi digerido. Então é nessa hora que a mão tem que estar estendida. Não por dó, mas por compreensão. Por saber que o amanhã é sempre incerto e quanto mais se insiste em saber, mais desesperadora se torna a situação.
E dói, e a gente sente vontade de gritar e a gente se sente maldito e tenta justificar toda a agonia chamando-a de burrice. Mas não é burrice. O nome dessa coisa de querer ter por perto quem a gente aprendeu a amar não é burrice, é medo. Porque depois que esse amor nasce a gente tem medo de ficar sozinho. De acordar de madrugada e de repente não ter mais pra quem ligar, alguém pra quem dizer: 'ei, não consigo dormir, conversa comigo'. E então conversar. E então saber que alguma coisa te liga a outra pessoa e que essa coisa você nunca sentiu antes e não sabe porque sente e porque quer sentir. Assim se justifica a chamada 'burrice' que as pessoas julgam ser ridícula! E quem julga nunca sentiu esse arrepio, a sutileza das mãos suadas e os beijos na testa. A vontade de ter por perto que parece nos matar aos poucos. Uma perfeita contradição. Estar preso por vontade.
E quando acaba ou alguma coisa; o destino o tempo ou o quer que seja trava o fluxo de um sentimente até então doce e tão querido, o que se sente por dentro e por fora e ao redor clama por uma mão ou duas, ou o mundo inteiro.
Por isso te escrevo. Porque eu já precisei de uma mão, porque eu já tive um amor assim desses
tão bonito que a gente lê nos livros e agradece quando aparece. E esse amor que eu cuidei e deixei crescer por dentro um dia foi embora e eu não pude dizer 'obrigada por nascer em mim.' ou um 'até a próxima'. Ele morreu antes de se despedir e eu fiquei sozinha num canto escuro tentando entender o porquê.
Agora vem cá, deixa eu te contar... Vai passar. Não agora, talvez não amanhã, mas eu sei que passa. Me dá a mão que eu te ajudo, você vai ver que o dia sempre amanhece mais bonito depois que a gente acorda cansada de um pesadelo.